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Dívida Externa – Renegociações e possibilidades.

Juros, moratórias, dívida externa, PIB, inflação, relações internacionais e outras questões políticas e econômicas. Palavras confusas e totalmente esquisitas aos meus ouvidos. Termos que até então ouvia nos jornais falados da TV, para não ficar totalmente ausente destas questões, mas que para meus gastos e poucos neurônios nesta área, era muito tudo isto. Até que a vida resolveu mais uma vez brincar comigo. Por caminhos indiretos arrumei um filho emprestado, que passou a conviver mais de perto comigo, quando veio morar na minha casa, até então um pacifico e harmonioso lar, com áreas profissionais que iam de humanas a artes. A linguagem era perfeita, o entendimento entre estas áreas era simples, um mundo além de tudo só feminino. Entra neste cenário, uma figura masculina e da área de exatas, mais precisamente um economista efetuando seu mestrado. Instalou-se o caos total. De repente livros e apostilas com termos obscuros e totalmente fora dos nossos contexto de vida. De repente aqueles termos dos jornais falados da TV, para pura informação, saem da TV e pulam diretamente para dentro do meu santo e pacífico lar e começam a fazer parte dos meus cafés da manhã, almoços. Minhas refeições passaram literalmente a serem sopas de letrinhas, com teorias e números como sobremesa e acompanhamentos, se não um colapso, mas uma boa indigestão começamos a sentir, algo estava pesado e indigesto. Discussões sobre a política econômica do país e do mundo, estavam a todo momento testando meus neurônios e ouvidos. Eu, acostumada com sentimentos, emoções, comportamentos, idéias e mentes, inconsciente e indo até para caminhos transpessoais, procurando entender o homem, com sua bagagem de alma na linha da eternidade, me vejo com regras e normas econômicas sociais e políticas, dentro do meu mundo.

Mas, como com meio século de existência já aprendi que de tudo que nos acontece, podemos e devemos tirar proveito, resolvi procurar que lição desta vez a vida estaria querendo que eu aprendesse. Achei!! O termo renegociação da divida externa, ficou brincando, bailando, fazia cenas na minha cabeça, por muito tempo. Daí, pensei. Se os países fazem isto com suas dívidas externas, numa política econômica, porque não fazemos isto com nossas dividas internas e também externas com nossos semelhantes, atuando como uma política emocional. Porque não podemos renegociar nossas magoas, ressentimentos, erros, coisas que não conseguimos ainda aprender, ou liquidar, com o tempo. Resolvi aplicar esta possibilidade econômica na vida. Saí pedindo prazo novo, moratórias para minhas velhas e antigas dividas com familiares, amigos, qualquer um que achei débito anterior em meus apontamentos antigos. Não precisava fugir de nada, era só renegociar, adaptar as cláusulas dos contratos, esticar os prazos de pagamentos, mudar até as formas de acertos, deu certo novamente. As relações externas, foram retomadas, a diplomacia, os jogos de relações externas, aprendi então que isto tudo estava muito mais perto de meu mundo que supunha. Será então que isto pode e vem a ser o principio básico de algo tão falado e tão distante, o famoso perdão? Então os países não deixando de lado as dividas mas mudando as formas de pagamento e esticando os prazos, estariam a caminho do nosso eterno perdão, onde as coisas feitas não podem ser apagadas, mas podem ir aos poucos sendo revistas e acertadas, na medida do quanto é possível para o devedor. Não me esqueci, nisto tudo, de tomar cuidado com os altíssimos juros que podem ser propostos por cobradores inescrupulosos, mas aprendi a negociar, estabelecer regras, abrir possibilidades e não fugir ou negar os problemas, mas aprender a solucioná-los, dentro das minhas possibilidades. Aprendi que se os homens negociam, tentam saídas, porque não a vida, tão mais sábia, não faria isto conosco. Parece que os tormentos ficam por nossa conta, devedores culpados, que se sentem tão mal com suas dívidas, que ao invés de negociá-las, nos afastamos dos compromissos por medo. A sensação de estar sendo capaz de saldar nossos débitos sem termos que falir para pagar o outro, é muito boa. Sentir-se em pé na vida e no tempo, sentindo crescer dentro de você suas possibilidades de lidar com sentimentos tão confusos, que antes eram tão apavorantes, nos retorna a sensação de poder que temos por sermos obra de arte do Divino Artista. Tentem. Saiam pedindo renegociações de suas dívidas, com vocês e com os outros. A sensação de bem estar e o aprendizado de vida, foram tão bons que mudei minhas impressões quanto à área de exatas e o mundo econômico.